sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Emigrantes, imigrantes e as religiões afro-brasileiras

O fim da Era Salazar pela Revolução dos Cravos, em 1974, pôs término aos períodos de proibições de práticas religiosas não católicas. Religiões como o espiritismo começaram a se reestruturar no país, embora o catolicismo siga sendo a religião predominante até os dias atuais, tanto que enquanto dados de 1900, indicavam que de 5.423.132 habitantes, os católicos eram 99,8%, os de 2001 apontaram que 8.699.515, 84,53% dos portugueses declararam-se católicos (VILAÇA, 2006). Destes, a porcentagem maior de praticantes católicos, pelo menos até os anos 80, encontrava-se no centro norte do país (FRANÇA, 1980), região de origem de grande parte dos imigrantes portugueses no Brasil (PASCKE, 1990/91), e de influencia de uma cultura religiosa dedicada à devoção às “imagens tópicas”, como no dizer de Espírito Santo (2000, p. 38).
Esse imaginário religioso acompanhou levas sucessivas de emigrantes portugueses para o Brasil, principalmente do séc. XVIII até o final do séc. XIX; depois do início do século XX até os anos 30, quando mais de dois milhões de portugueses se deslocaram para o Brasil (IBGE, 2000). Notadamente, influenciarão a realidade religiosa brasileira, difundindo o chamado catolicismo popular (SANCHIS, 1983; BURKE, 1989), e com ele a crença também em bruxedos, benzeduras e possessões por espíritos, elementos constitutivos, segundo Bastide (1989), das religiões afro-brasileiras, principalmente a umbanda e a quimbanda.
Tal quadro de referência estará diretamente relacionado à imigração de brasileiros para Portugal, que manteve níveis constantes de crescimento constantes, de 1980 até 1987, expandindo-se significativamente até 1995 (MALHEIROS, 2007, p. 17). Os motivos aceleradores deste cenário em Portugal vão desde a facilidade com a língua, laços de parentesco e retorno de portugueses com suas famílias brasileiras, empresas brasileiras em Portugal e vice-versa, nichos de mercado aberto para profissionais brasileiros, desejo de ter Portugal como porta de entrada para a Europa, e a auto alimentação da imigração por brasileiros que passaram a residir no país, que só  cessará (ver: MALHEIROS, op. cit.) com as medidas de restrição impostas a brasileiros por parte do governo português no início do séc. XXI. Contudo, esses emigrantes e imigrantes,  são os que estabelecerão os primeiros terreiros afro-brasileiros em Portugal, por encontrar campo propício às suas práticas.

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